Sobre Maquetes
1 - Porque ainda se cozinha em panelas de barro.

 

  


Maquetes físicas de arquitetura e urbanismo: 1 - Porque ainda se cozinha em panelas de barro.

 

Especialmente os capixabas sabem explorar o valor de uma moqueca feita em panela de barro. Assim como tantas outras delícias da culinária brasileira, ou mesmo do ocidente ao oriente, é incontestável o paladar da comida cozida em recipientes rudimentares. Naturalmente que as tecnologias eletrônicas atuais acompanham as exigências do ritmo de produção e consumo contemporâneos e felizmente temos os microondas à disposição. Seja pelo paladar ou pelo visual, estamos constantemente buscando por sensações que provoquem nossa percepção, induzindo a uma insaciável vontade de receber estímulos aos nossos sentidos. 

 

Ao se pensar a produção de arquitetura, a expectativa de sua concretização vem aliada aos sonhos e fantasias das realizações desejadas, plenas de emoção e sentimentos. A vontade de interpretar o objeto de desejo ou de desvendar e elucidar a forma de um sonho demandará toda sorte de recursos representacionais capazes de promover a comunicação e a aproximação necessárias para alcançar a satisfação almejada.

 

O desenvolvimento das etapas de concepção de um projeto arquitetônico, fomentado pelo imaginário conceitual, pode ser materializado na construção de representações em modelos tridimensionais ou maquetes físicas de arquitetura, auxiliares da percepção visual e da experimentação volumétrica.

 

Por muito tempo, desde a antiguidade, as maquetes tridimensionais foram a representação mais fidedigna, atraente e sedutora a corresponder às necessidades de representação da criação arquitetônica. Aliadas aos desenhos em croquis, perspectivas geométricas ou representações gráficas codificadas, desempenharam atuação ímpar como modelos de representação tridimensional.

 

O advento da informática impactou momentaneamente a produção deste meio de representação, sugerindo sua breve obsolescência pela superação de seu modo de produção, lento, trabalhoso e caro, enquanto demandava técnicas e mão-de-obra especiais e complexas, que cederiam lugar à agilidade e praticidade da maquete eletrônica, de produção incomparavelmente menos complexa e custosa.

 

A realidade atual apresenta elementos para uma melhor análise de tal tendência. Embora tenha aumentado de forma espantosa a facilidade de produção de imagens múltiplas do projeto, em qualquer fase de desenvolvimento, a utilização do meio digital não excluiu ou sequer reduziu a demanda por maquetes tridimensionais. O incremento de softwares com representações em mídia eletrônica permitiu ao profissional agilidade na elucidação de soluções. Animou e sofisticou a qualidade das apresentações, ensinando o cliente a ser exigente em elementos necessários à sua interação com o processo de produção arquitetônica.

 

Entretanto, as maquetes físicas estarão sempre aliadas às imagens virtuais. Complementando os modos de representação bidimensionais – croquis, perspectivas, fotografias, as próprias imagens digitais na tela do monitor, estáticas ou animadas em tour virtual, as maquetes físicas continuarão desempenhando sua função estimulante de sensações sedutoras e sendo um instrumento ímpar na atratividade dos observadores.

 

Bem como nos alimentamos com produtos industrializados prontos para consumo, sempre teremos o prazer de segurar e morder uma fruta fresca, ou saborear pratos típicos da culinária tradicional, preparados artesanalmente com técnicas práticas e sentimento artístico.

 

Arq. Marcos Bustamante

 

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